RESUMO: Trade liberalization and industrial development in Latin America

Trade liberalization and industrial development in Latin America

Dijkstra, A. G.

Se a liberalização comercial é benéfica do ponto de vista do bem-estar, não deveríamos aceitar a desindustrialização como consequência? Não, porque o progresso técnico e da produtividade é maior do que na indústria e por causa da deterioração dos termos de troca.

Os argumentos tradicionais para a liberalização (Rodrik 1995) são: aumento de eficiência com a especialização (Ricardo), aumento da produtividade com a troca tecnológica, maior resistência a choques adversos e menor espaço para rent-seeking. Destas, Rodrik considera que apenas a primeira tem alguma base teórica. Dijkstra argumenta que a segunda pode ser válida também para os países industrializados.

Dijkstra separa os aumentos de eficiência em dois tipos:

  • Efeitos estáticos que podem ser subdivididos em mais dois tipos. Eficiência alocativa é a decorrida da maior especialização, em setores mais produtivos. Eficiência-X é derivada do aumento de eficiência das firmas pelo acesso ao mercado externo, com diminuição de custos. Este efeito é menor do que o esperado da teoria neoclássica, já que a importação de matérias-prima já é normalmente facilitada e existem diversos problemas micro relativos à concentração de mercado que capturam esta eficiência.
  • O segundo é um efeito de eficiência dinâmica, que aumenta a taxa de crescimento, podendo ser pela maior abertura as inovações técnicas ou simplesmente pelo acesso a um mercado maior. Porém estes fatores são mais importantes para países já industrializados, já que estes fatores são mais importantes na indústria. Além disso, a maior competição pode restringir o progresso técnico pela menor capacidade de firmas pequenas desenvolverem R&D (Schumpeter). Portanto, um país especializado no setor primário ou em indústrias intensivas em trabalho tem pouco a ganhar com a abertura, devido à baixa elasticidade da demanda, economias de escala pouco relevantes e menor progresso técnico nestas áreas.

Para os países estudados, a abertura parece ter poucos efeitos na eficiência-X, quando medimos mudança na produtividade do trabalho ou mudança nos mark-ups. O efeito existe, porém é menos importante que o câmbio ou a demanda doméstica, por exemplo.

O mesmo vale para a eficiência alocativa. Para os países menos desenvolvidos da AL, houve uma mudança estrutural na direção esperada pela teoria neoclássica, porém câmbio e a demanda interna novamente predominam. Nos países mais industrializados, mais do que à abertura, podemos creditar aos programas setoriais específicos o aumento da indústria, como por exemplo o regime automotivo no Brasil depois de 1995 e ao aumento da demanda.

A eficiência dinâmica é normalmente estudada usando a produção industrial, TFP e as exportações de manufaturados como indicadores. Estudos com os países da AL demonstram que a abertura comercial responde por pouco da variação dos indicadores neste período, sendo outros fatores predominantes.

O autor conclui que medidas de promoção de exportações, condicionada ao desempenho exportador são as melhores medidas para evitar os efeitos negativos da liberalização comercial.

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