RESUMO: Latin America’s New Economic Model (Reinhardt et al. – 2000)

Latin America’s New Economic Model: Micro Responses and Economic Restructuring

Nola Reinhardt

Smith College, Northampton, MA, USA

Wilson Peres

Este artigo é a introdução de uma edição especial do World Development sobre a América Latina, de 2000. Este artigo analisa, no nível da firma, as conseqüências do que ele chama de New Economic Model (NEM) adotado na região em substituição ao ISI (substituição de importações).

O NEM surgiu das críticas ao modelo ISI, baseadas em uma visão laissez-faire. A ISI estaria distorcendo as economias da região, tornando a produtividade menor do que deveria ser. A primeira crítica a surgir foi de cunho monetarista, visando à estabilização contra políticas expansionistas. Em um segundo momento a crítica evoluiu para a necessidade de reformas no sentido de liberalização, para eliminar as distorções surgidas. Estas tendências desembocaram nos artigos clássicos de Williamson (1990) e do Banco Mundial (1991). O NEM é a versão final de uma série de pensamento que se iniciou com os neoconservadores e passa pelos neoliberais do início dos anos 90.

A teoria que respalda o NEM prevê que haveria uma redistribuição de recursos no nível da firma e dos setores. As firmas teriam acesso a melhores recursos de um lado e haveria estímulo as firmas que produzissem exportáveis, de acordo com as vantagens comparativas, ganhando escala, e desestímulo as firmas que produzissem importáveis. No conjunto haveria um aumento de produtividade, que leva ao crescimento. Note que os proponentes da NEM não consideram as conseqüências dinâmicas da nova estrutura produtiva nem o papel da acumulação de conhecimento e de produção tecnológica.

Na seção seguinte os autores avaliam os indicadores econômicos dos países após as reformas. De modo geral a inflação caiu, a exportação aumentou, capital entrou (investimento e portafólio), crescimento e investimento continuaram baixos, desemprego subiu, distribuição de renda permaneceu ruim e aumento a instabilidade da região. É notável a diferença de desempenho entre os países que já possuíam uma industrialização prévia razoável e os demais.

Do lado microeconômico, a esperada mudança estrutural não ocorreu. Apesar da participação da indústria ter caído em alguns países, as maiores mudanças parecem ter acontecido internamente dentro de cada setor. Uma explicação para isso pode ser o desestímulo ao investimento causado pela instabilidade do câmbio (Macario). As exportações aumentaram, porém desigualmente entre os países. Os países mais distantes dos mercados internacionais, como a América do Sul, concentraram as exportações nos recursos naturais. As importações aumentaram, porém a teoria não previa a importação de bens de capital (já que a região já seria intensiva demais neste fator).

No nível da firma, nota-se que firmas maiores e subsidiárias de multinacionais tiveram melhor capacidade de adaptação. Além disso, firmas mais ligadas ao mercado internacional também foram favorecidas. Encadeamentos domésticos foram enfraquecidos, assim como a capacidade de acumulação endógena de conhecimento. As empresas menores que especializaram em setores menos afetados pela competição externa tiveram bom desempenho.

Concluindo, o autor observa que a maior parte dos ganhos de eficiência foi decorrente de fatores no nível da firma, e não de realocação de recursos na economia. A maior integração internacional, com suprimento através de importações e vendas para mercado externo, enfraqueceu os encadeamentos domésticos e aumentou a vulnerabilidade externa da região. Por fim, houve aumento da concentração em todos os setores.

Atualmente existem três posições no debate sobre políticas a serem adotadas. Um primeiro grupo defende as reformas, que deveriam ser aprofundadas, porém reconhece que algo mais deve ser feito para aumentar o emprego e reduzir a pobreza. Este algo mais é um esforço de aumento no nível educacional.  Um segundo grupo defende uma onda de reformas institucionais, sugerindo que este é o hiato atual da AL em relação aos demais países. O último grupo defende a modificação ou reversão de alguns aspectos da reforma, como apoio do Estado para o setor tecnológico, organização estratégica para o complementariedade de investimentos, estímulo às exportações ou políticas direcionadas para setores.

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