RESUMO: “Trade Policy and Economic Growth: A Skeptic’s Guide to Cross- National Evidence” – Rodriguez e Rodrik (1999)

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No artigo os autores fazem uma revisão da literatura que liga abertura comercial ao crescimento, principalmente através do aumento da produtividade. O pensamento dominante é que a abertura comercial leva a um aumento das taxas de crescimento econômico, através do aumento da produtividade dos fatores.
Dollar (1992) tenta capturar o grau de abertura de um país através de dois índices: variabilidade, medida sobre a taxa de câmbio com a idéia que uma taxa constante incentiva o comércio e distorção, medida pela diferença entre preços internos e externos. A crítica de Rodrigues e Rodrik é que distorção não mede a política comercial intencional do governo e é viesado. No caso de uma tarifa sobre as exportações, por exemplo, o índice diz que o país é mais aberto com a tarifa do que sem. Além disso, este raciocínio só vale se o câmbio está no nível PPP (paridade de poder de compra). Como considera a lei do preço único, este índice acaba absorvendo efeitos diversos como a geografia, mostrando uma econometria questionável.
Sachs e Warner (1995) é um dos papers mais citados nesta literatura. Nele os autores constroem uma dummy indicando se o país é aberto ou fechado segundo cinco fatores. Basta um ser verdadeiro para o país ser considerado fechado. Eles são: tarifas médias acima de 40%, barreiras não-tarifárias sobre mais de 40% das importações, regime socialista, monopólio estatal sobre as exportações e câmbio negro mais de 20% fora do oficial. A crítica de Rodrigues e Rodrik é que, destes cinco fatores, apenas dois respondem majoritariamente pelos efeitos reportados: monopólio estatal e câmbio negro. Os fatores relacionados à política comercial realmente, tarifas e barreiras, são os de menor peso individual. Além disso, os que mais pesam são fortemente relacionados com outros fatores não analisados. Monopólio estatal de exportações funciona quase como substituto para uma dummy para África subsaariana e o câmbio negro é correlacionado com diversos outros fatores externos à política comercial como, por exemplo, corrupção. Quando incluímos variáveis regionais e de qualidade institucional,
os fatores originais perdem muito de seu poder de explicação.
Edwards (1998) opta por não criar novas medidas de abertura e sim testar as
diversas existentes e verificar a consistência dos resultados. Os problemas do artigo são econométricos. Edwards utiliza mínimos quadrados ponderados para evitar a heterocedasticidae e utiliza o PNB per capita como peso. Este não seria um peso adequado. Ao utilizar-se o método de White para correção de  heterocedasticidade, as variáveis explicativas perdem significância. Os únicos indicadores que se mantêm relevantes são altamente subjetivos.
Ben-David busca uma abordagem alternativa, procurando observar a convergência entre países após a abertura comercial. O seu caso básico são os países da Europa que, após o MCE teriam começado a convergir. É possível demonstrar que, no entanto a convergência entre estes países iniciou-se antes da abertura comercial e é possível encontrar exemplos do oposto ocorrendo em outras regiões do mundo. Slaughter (1998) repete o estudo com uma abordagem de diferenças-em-diferenças e os resultados não são replicados.
Outros artigos analisados sofrem os mesmos problemas metodológicos e com dados.
Rodriguez e Rodrik concluem que não se pode afirmar a existência de relação entre abertura comercial e crescimento econômico (positiva ou negativa), tanto quanto a correlação quanto à causalidade.

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